JÚLIO POMAR e a GALERIA 111

1. 1967 e 1973

Exposição Desenhos para “Pantagruel”, de Rabelais, inaug. 30 maio de 1967, Edição Prelo, do amigo Rui de Moura. O livro fora uma iniciativa do artista, que convidou como tradutor Jorge Reis (exilado em Paris, inconfundível locutor das Actualidades Francesas e autor do premiado romance “Matai-vos uns aos outros”, 1961, Prelo) e acompanhou o design gráfico de Alice Jorge. J.P. dizia que foi a 1ª vez que um editor devolveu os originais publicados; o hábito, tb nos periódicos, era ficarem pelas editoras ou tipografias, perderem-se. Foram devolvidos num álbum organizado por Alice Jorge e adquiridos por Manuel Vinhas. Dispersaram-se os desenhos muito mais tarde, e encontram-se alguns no acervo do Atelier-Museu e no espólio dos herdeiros.

Fotos com Manuel Vinhas, Mário Dionísio e José Sommer Ribeiro (©ccângelo Gonçalves)

Em 1969 iniciou-se uma colaboração regular com Manuel de Brito. A segunda exposição na 111, aconteceu dez anos depois da instalação do pintor em Paris, e reuniu obras dos anteriores cinco anos. Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual, desejada por Pomar, depois de fazer em 1964 (Tauromachies) e 1965 (Les Courses) duas exposições na Galerie Lacloche, na Place Vandôme, que surgira por intermediação de Manuel Vinhas e em 1966, já com nova individual prevista, passou a dedicar-se a múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver Pomar, Alexandre, 2023).

Manuel de Brito comprava então no estrangeiro muitas obras para Jorge de Brito, nomeadamente em leilões e com o foco em Vieira da Silva, às vezes mesmo em concorrência direc). As obras das novas séries de Pomar eram compradas quase na totalidade, antes de serem expostas, por Jorge de Brito, Manuel Vinhas e Augusto Vieira de Abreu. Em 1973 Jorge de Brito adquiriu um grande número de pinturas e as outras são disputadas por colecções particulares. Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual, desejada por Pomar, depois de fazer em 1964 (Tauromachies) e 1965 (Les Courses) duas exposições na Galerie Lacloche, na Place Vandôme, que surgira por intermediação de Manuel Vinhas e entretanto passara a dedicar-se a múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver Pomar, Alexandre, 2023).Foi a 1ª individual de pintura em Lisboa depois da de 1966 na SNBA, a então Galeria de Arte Moderna, montada com os quadros de Paris, em geral já de colecções privadas. Era o início do boom do mercado

“Pomar 69/73”, dezembro 1973, com séries dos Banhos Turcos d’après Ingres e retratos, 46 pinturas e 12 desenhos; catálogo com texto ensaístico do autor (no III volume da “Parte Escrita”, ed. Atelier-Museu). Foi a 1ª individual de pintura em Lisboa depois da de 1966 na SNBA, a então Galeria de Arte Moderna, montada na maioria com os quadros de Paris, em geral já em colecções privadas. Seguiam-se já às séries dedicadas ao Rugby e a Maio de 68, adquiridas quase totalmente por Jorge de Brito, que foram vistas pela 1ª vez em 1986 numa mostra antológica da Gulbenkian (Brasil e Lisboa).

2. JP e a 111, 1982 e 1985

1982, nov. – Exp de pintura e desenho <OS TIGRES> . Desdobrável com desenho de Menez e texto do artista traduzido por Maria Velho da Costa (in Parte Escrita III). Pinturas, 1979-82; com 13 desenhos de tigres e 5 desenhos de touros para o livro “Tauromagia” de Alberto de Lacerda, ed. Contexto; azulejos, 3 painéis ed. Hypnos, Paris – Joaquim Vital. A série Tigres foi partilhada pelas galerias Bellechasse e 111.

Depois da exp. de 1973 na 111 e até 1985, JP teve mostras individuais na Galerie de la Différence, Bruxelas, <L’ESPACE D’ÉROS> fev. 1978, onde apresenta as primeiras colagens da chamada “fase erótica”, que se verão na Retrospectiva de 1978 em Lisboa, Porto e Bruxelas; THEÂTRE DU CORPS na Galerie de Bellechasse, Paris, mai 1979; Painting and drawing, na Galleri Glemminge, Glemmingebro, Suécia, 1980; LES TIGRES – Peintures Récentes, de novo na Gal. Bellechasse, nov. 1981. PORTRAITS, drawings (retratos a lápis dos anos 70) na mesma Galleri Glemminge, 1982. ELLIPSES Peintures Récentes, Gal. Bellechasse, 1984.

Em dez 1979, na 111, lançamento do livro “O Burro em pé” de José Cardoso Pires, ed. Moraes, com exp. das colagens que ficaram na colecção do escritor. Em dez. 1981, lançamento do livro “Com Júlio Pomar” de Helena Vaz da Silva, ed. António Ramos.

1985 dez., na 111: RAPTOS DE EUROPA E 7 HISTÓRIAS PORTUGUESAS, sem catálogo com o lançamento do livro “Mensagem” de Fernando Pessoa, com um estudo de Mário Dionísio, “O avesso dos Mitos”, e também de “O livro dos Quatro Corvos”, tradução portuguesa das Editions de La Différence, “Le Livre des Quatre Corbeaux”, com texto de Claude-Michel Cluny.

É o início das obras de temas mitológicos, pintura de história(s), já presentes em algumas Elipses de 1983-84; os temas literários, vindos em desenhos e azulejos da decoração mural do Metro de Lisboa, Alto dos Moinhos, 1982-84 (exp. no CAM) seguem da “Mensagem” para a série dedicada a Edgar Poe e os seus tradutores The Raven, O Corvo). Os quadros realizados a pretexto de ilustrações para o livro da ed. La Différence, por sugestão e encomenda de Joaquim Vital, nunca serão expostos em conjunto e dispersam-se passando da propriedade do editor para a de Manuel de Brito. Foram em parte mostrados na Bienal de São Paulo de 1985, na antologia itinerante de 1986-87, Brasil e Lisboa, e no Palais de Tokyo, Paris, “4 peintres Portugais à Paris” (Dacosta, Pomar, Cargaleiro, Jorge Martins. Nas fotos: desenho de Menez, “Presentes de D. Manuel ao Papa”, 1985.

3. ANOS 1980 e 1990: 1989 e 1990 (as séries brasileiras)

1988MASCARADOS DE PIRENÓPOLIS, expostos no Arco Madrid (Gal. 111) e na Galeria 111, Lisboa. Catálogo com texto de Manuel Castro Caldas (separata com tradução). Com a apresentação do livro “Os Desenhos do Circo de Brasília” texto de Paulo Herkenhoff (“Pomar visto do Brasil”). .

Nesta participação na feira de Madrid Manuel de Brito não aceitava compradores estrangeiros, como continuará a fazer, no ano seguinte com Paula Rego, e de novo em 1990. alegando ter clientes interessados. Era um erro, de todos os pontos de vista, que irá justificar o afastamento da feira.

1990, 14 dez. –LOS INDIOS, Arco Madrid (Gal. 111), fevereiro (7 quadros que não estiveram à venda, cedidos pela galeria de Paris, Georges Lavrov, enquanto outros 8 se encontravam no Rio de Janeiro), antecedida por LES INDIENS, Galerie Georges Lavrov, Paris, setembro. (10 quadros). Catálogos com o mesmo texto de Michel Waldberg. Na 111, apresentação do livro “Pomar”, texto de Mário Dionísio, Publ. Europa-América – é a versão portuguesa de “Pomar” com texto de Michel Waldberg, Éditions de la Différence.

As duas séries brasileiras, também com Os Desenhos do Circo de Brasília, estiveram na antologia “Pomar/Brasil” (org. FG: Rio, São Paulo, depois CAM) mas nenhum quadrio podia ficar no mercado brasileiro. Tudo estava capturado pelo mercado nacional.

111
Lavrov

Os Desenhos do Circo de Brasília, 1987, estudos para painéis de azulejo, q se seguiram às decorações murais para o Alto dos Moinhos, Metro de Lisboa, participaram em “Pomar/Brasil” e tiveram circulação no Brasil – galerias Paulo Figueiredo, Brasília, e Anna Maria Niemayer, no Rio, acompanhadas pelo referido volume com texto de Paulo Herkenhoff editado pela 111.

Entretanto, Manuel de Brito organiza duas mostras antológicas em Macau: “Pomar”, 1989, Gal. do Leal Senado – catálogo com texto de Helmut Wohl; e “Júlio Pomar”, com obras da sua colecção, em 1999, Centro de Arte Contemporânea com a Fundação Oriente; cat com tx de José Luís Porfírio.. É levada em 2000 à Galeria Nacional de Pequim

Outras exp em galerias: 1986 – Desenhos, Clube 50, Lisboa, “Páginas de álbum, estudos de bichos”, e Gal de Arte de Vilamoura, a convite de Cruzeiro Seixas. 1987, Gal. Gilde, Guimarães. 1996, “Cinco figuras de convite”, azulejo, Ratton

4. ANOS 90: Pomar não expôs na 111 na década de 1990

Em galerias de Paris nos anos 1990-2001:

FABLES ET PORTRAITS, Galerie Gérald Piltzer, 1994, com a publicação de um livro, texto Claude-Michel Cluny.

L’ANNÉE DU COCHON OU LES MÉFAITS DU TABAC, Gal. Piltzer, 1996 (a série dedicada a Ulisses e outrostemas); com um deficiente Jornal da exposição com texto de José Cardoso Pires)

LES JOIES DE VIVRE, Galerie Gérald Piltzer, 1997 (passagem a grandes formatos durante uma grave situação de saude, um cancro; regresso ao tema do Xingu; publicado um álbum com ensaios de Marcelin Pleynet e António Lobo Antunes.

LA CHASSE AU SNARK, L’ENTRÉE DE FRIDA KHALO AU PARADIS, CONTES MORAUX, Galerie Gérald Piltzer, 1999, e Salander O’Reilly Gallerie, Nova Iorque, 2000; publicação de um álbum com texto deMarcelin Pleynet, ed Piltzer.

QUELQUES DESSINS, Galerie Flora J, 2001; com livro homónimo. (A exp entrou em itinerância em Portugal: “Alguns desenhos”, Gal. Valbom 2003)

Nesses anos de voragem do mercado, e altos valores, Manuel de Brito recusava-se a comprar quadros de Pomar em França, o que incrementava a acção de intermediários, galerias Antiks, Cordeiros, Quadrado Azul, Fernando Santos, Valbom etc, e de vários dealers.

Outras exposições em galerias:1993 Tapeçarias recentes, Gal. Tapeçarias de Portalegre; “Caracóis”, azulejos, Ratton Cerâmicas, com álbum de poemas de Pedro Tamem

5. Anos 2000

in progress

&

1989 – 2026, Pomar na Colecção Manuel de Brito e quatro exposições monográficas

A Colecção Manuel de Brito foi apresentada pela primeira vez em 1994 no Museu do Chiado, na programação de Lisboa Capital Cultural. A exp. teve o subtítulo “Imagens da arte portuguesa do século XX” e foi comissariado pelo próprio e Raquel Henriques da Silva. Um última secção do catálogo, “Escolhas electivas” incluiu Júlio Pomar (12 pinturas) entre Dacosta, Menez, Eduardo Luiz, Paula Rego e Graça Morais. Foi depois apresentada e Macau, Galeria do Forum 1995; no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,

Já em 1989 MB apresentara uma mostra antológica de JP na Galeria do Leal Senado em Macau com um texto crítico de Helmut Wohl no catálogo. (8 pinturas da colecção MB, 2 de Arlete Alves da Silva, e outras proveniências)

Nova exp em Macau aconteceu em 2000, no Centro de Arte Contemporânea de Macau com apoio da Fundação Oriente. Catálogo com texto de José Luís Porfírio, “Mudança e estrutura . JP em 26 exemplos 1948-1998” (com obras da colecção de Manuel de Brito: 26 obras). Foi apresentada na Galeria Nacional de Pequim, 2001

Julio Pomar no CAMB, Palácio Anjos, Algés, 2009. Texto de Celso Martins, “JP e o princípio da adequação” (30 pinturas)

A colecção foi depois parcialmente dividida com o filho mais velho de MB, que apresentou a sua colecção em 2024: “O nome igual nos dois? Um receituário para a Liberdade na coleção de Manuel Brito “, na Galerias da Casa Comum (Reitoria) da Universidade do Porto. Com 8 pinturas de Júlio Pomar.

2026, 10 jan. no Centro de Arte Manuel de Brito, Campo Grande

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