1967: Exposição Desenhos para “Pantagruel”, de Rabelais, inaug. 30 maio . Edição Prelo, do amigo Rui de Moura. O livro fora iniciativa do artista, que convidou como tradutor Jorge Reis (exilado em Paris, inconfundível locutor das Actualidades Francesas e autor do premiado romance “Matai-vos uns aos outros”, 1961, Prelo) e acompanhou o design gráfico de Alice Jorge. J.P. dizia que foi a 1ª vez que um editor devolveu os originais publicados; o hábito, tb nos periódicos, era ficarem pelas editoras ou tipografias, perderem-se. Foram devolvidos num álbum organizado por Alice Jorge e adquirido por Manuel Vinhas. Dispersaram-se os desenhos muito mais tarde, e encontram-se alguns no acervo do Atelier-Museu e no espólio dos herdeiros.
Pomar passara a viver em Paris em 1963. Desde as exposições na Galeria Diário de Notícias, em 1962 e 1963, o mercado nacional acolhia com interesse o seu trabalho; a transferência para Paris ocorria por motivos pessoais no início da relação com Manuela Jorge, quando já firmara um contrato com a Galerie Lacloche, uma importante galeria situada na luxuosa Place Vandôme. Esse contrato fora mediado por Manuel Vinhas que em 1961 convidara a respectiva direcção a visitar a II Exposição Gulbenkian (ver correspondência em Pomar, Alexandre 2023).
PARIS: Em 1964 expôs Tauromachies e em 1965 Les Courses na Galerie Lacloche, que tinha previsto outra individual no ano seguinte mas entretanto passou a dedicar-se aos múltiplos ± Pop e mobiliário de artista (ver op.cit). Em 1966, na SNBA, na então Galeria de Arte Moderna, voltou a expor em Lisboa com quadros de Paris (e alguns outros de Lisboa, de breves visitas, em especial The Beatles), eram em geral já de colecções privadas. Estava-se no início do boom do mercado.
Em 1969 iniciou uma colaboração regular com Manuel de Brito. A segunda exposição na 111 aconteceu no entanto só dez anos depois da instalação do pintor em Paris, e reuniu obras dos anteriores cinco anos. Manuel Brito ia vendendo directamente os quadros recentes aos coleccionadores-admiradores e adiando a 1º individual desejada por Pomar.
Manuel de Brito comprava então no estrangeiro muitas obras para Jorge de Brito, nomeadamente em leilões e com o foco em Vieira da Silva, às vezes mesmo em concorrência directa entre os seus “agentes”). As obras das novas séries de Pomar eram compradas quase na totalidade, antes de serem expostas, por Jorge de Brito, Manuel Vinhas e Augusto Vieira de Abreu. Em 1973 Jorge de Brito adquiriu um grande número de pinturas e as outras são disputadas por colecções particulares.
“Pomar 69/73”,dezembro 1973, com séries dos Banhos Turcos d’après Ingres e retratos, 46 pinturas e 12 desenhos; catálogo com texto ensaístico do autor (no III volume da “Parte Escrita”, ed. Atelier-Museu). . Seguiam-se já às séries dedicadas ao Rugby e a Maio de 68, adquiridas quase totalmente por Jorge de Brito, as quais só foram vistas pela 1ª vez em 1986 numa mostra antológica da Gulbenkian (Brasil e Lisboa).
Em 1978 a Fundação Gulbenkian apresentou a 1ª retrospectiva de JP, repetida no Museu Soares dos Reis, Porto, e em Bruxelas
&
2. JP e a 111, 1982 e 1985
1982, nov. – Exp de pintura e desenho <OS TIGRES> . Desdobrável com desenho de Menez e texto do artista traduzido por Maria Velho da Costa (in Parte Escrita III). Pinturas, 1979-82; com 13 desenhos de tigres e 5 desenhos de touros para o livro “Tauromagia” de Alberto de Lacerda, ed. Contexto; azulejos, 3 painéis ed. Hypnos, Paris – Joaquim Vital. A série Tigres foi partilhada pelas galerias Bellechasse e 111.
Depois da exp. de 1973 na 111 e até 1985, JP teve mostras individuais na Galerie de la Différence, Bruxelas, <L’ESPACE D’ÉROS> fev. 1978, onde apresenta as primeiras colagens da chamada “fase erótica”, que se verão na Retrospectiva de 1978 em Lisboa, Porto e Bruxelas; THEÂTRE DU CORPS na Galerie de Bellechasse, Paris, mai 1979; Painting and drawing, na Galleri Glemminge, Glemmingebro, Suécia, 1980; LES TIGRES – Peintures Récentes, de novo na Gal. Bellechasse, nov. 1981. PORTRAITS, drawings (retratos a lápis dos anos 70) na mesma Galleri Glemminge, 1982. ELLIPSES Peintures Récentes, Gal. Bellechasse, 1984.
Em dez 1979, na 111, lançamento do livro “O Burro em pé” de José Cardoso Pires, ed. Moraes, com exp. das colagens que ficaram na colecção do escritor. Em dez. 1981, lançamento do livro “Com Júlio Pomar” de Helena Vaz da Silva, ed. António Ramos.
1985 dez., na 111: RAPTOS DE EUROPA E 7 HISTÓRIAS PORTUGUESAS, sem catálogo mas com o lançamento do livro “Mensagem” de Fernando Pessoa, com um estudo de Mário Dionísio, “O avesso dos Mitos”, e também de “O livro dos Quatro Corvos”, tradução portuguesa das Editions de La Différence, “Le Livre des Quatre Corbeaux”, com texto de Claude-Michel Cluny.
É o início das obras de temas mitológicos, pintura de história(s), já presentes em algumas Elipses de 1983-84; os temas literários, vindos em desenhos e azulejos da decoração mural do Metro de Lisboa, Alto dos Moinhos, 1982-84 (exp. no CAM) seguem da “Mensagem” para a série dedicada a Edgar Poe e os seus tradutores The Raven, O Corvo). Os quadros realizados a pretexto de ilustrações para o livro da ed. La Différence, por sugestão e encomenda de Joaquim Vital, nunca serão expostos em conjunto e dispersam-se passando da propriedade do editor para a de Manuel de Brito. Foram em parte mostrados na Bienal de São Paulo de 1985, na antologia itinerante de 1986-87, Brasil e Lisboa, e no Palais de Tokyo, Paris, “4 peintres Portugais à Paris” (Dacosta, Pomar, Cargaleiro, Jorge Martins. Nas fotos: desenho de Menez, “Presentes de D. Manuel ao Papa”, 1985.
&
3. ANOS 1980 e 1990: 1989 e 1990 (as séries brasileiras)
1988 – MASCARADOS DE PIRENÓPOLIS, expostos no Arco Madrid (Gal. 111) e na Galeria 111, Lisboa. Catálogo com texto de Manuel Castro Caldas (separata com tradução). Com a apresentação do livro “Os Desenhos do Circo de Brasília” texto de Paulo Herkenhoff (“Pomar visto do Brasil”). .
Nesta participação na feira de Madrid Manuel de Brito não aceitava compradores estrangeiros, como continuará a fazer, no ano seguinte com Paula Rego, e de novo em 1990. alegando ter clientes interessados. Era um erro, de todos os pontos de vista, que irá justificar o afastamento da feira.
1990, 14 dez. –LOS INDIOS, Arco Madrid (Gal. 111), fevereiro (7 quadros que não estiveram à venda, cedidos pela galeria de Paris, Georges Lavrov, enquanto outros 8 se encontravam no Rio de Janeiro), antecedida por LES INDIENS, Galerie Georges Lavrov, Paris, setembro. (10 quadros). Catálogos com o mesmo texto de Michel Waldberg. Na 111, apresentação do livro “Pomar”, texto de Mário Dionísio, Publ. Europa-América – é a versão portuguesa de “Pomar” com texto de Michel Waldberg, Éditions de la Différence.
As duas séries brasileiras, também com Os Desenhos do Circo de Brasília, estiveram na antologia “Pomar/Brasil” (org. FG: Rio, São Paulo, depois CAM) mas nenhum quadro podia ficar no mercado brasileiro. Tudo estava capturado pelo mercado nacional.
111Lavrov
Os Desenhos do Circo de Brasília, 1987, estudos para painéis de azulejo, q se seguiram às decorações murais para o Alto dos Moinhos, Metro de Lisboa, participaram em “Pomar/Brasil” e tiveram circulação no Brasil – galerias Paulo Figueiredo, Brasília, e Anna Maria Niemayer, no Rio, acompanhadas pelo referido volume com texto de Paulo Herkenhoff editado pela 111.
Entretanto, Manuel de Brito organiza duas mostras antológicas em Macau: “Pomar”, 1989, Gal. do Leal Senado – catálogo com texto de Helmut Wohl; e “Júlio Pomar”, com obras da sua colecção, em 1999, Centro de Arte Contemporânea com a Fundação Oriente; cat com tx de José Luís Porfírio.. É levada em 2000 à Galeria Nacional de Pequim
Outras exp em galerias: 1986 – Desenhos, Clube 50, Lisboa, “Páginas de álbum, estudos de bichos”; e Gal de Arte de Vilamoura, a convite de Cruzeiro Seixas. 1987, Gal. Gilde, Guimarães. 1996; “Cinco figuras de convite”, azulejo, Ratton.
&
4. ANOS 90: Pomar não expôs na 111 na década de 1990
Paris 1990-2001:
FABLES ET PORTRAITS, Galerie Gérald Piltzer, 1994, com a publicação de um livro, texto Claude-Michel Cluny.
L’ANNÉE DU COCHON OU LES MÉFAITS DU TABAC, Gal. Piltzer, 1996 (a série dedicada a Ulisses e outrostemas); com um deficiente Jornal da exposição com texto de José Cardoso Pires)
LES JOIES DE VIVRE, Galerie Gérald Piltzer, 1997 (passagem a grandes formatos durante uma grave situação de saude, um cancro; regresso ao tema do Xingu; publicado um álbum com ensaios de Marcelin Pleynet e António Lobo Antunes.
LA CHASSE AU SNARK, L’ENTRÉE DE FRIDA KHALO AU PARADIS, CONTES MORAUX, Galerie Gérald Piltzer, 1999, e Salander O’Reilly Gallerie, Nova Iorque, 2000; publicação de um álbum com texto deMarcelin Pleynet, ed Piltzer.
QUELQUES DESSINS, Galerie Flora J, 2001; com livro homónimo. (A exp entrou em itinerância em Portugal: “Alguns desenhos”, Gal. Valbom 2003)
Nesses anos de voragem do mercado, e altos valores, Manuel de Brito recusava-se a comprar quadros de Pomar em França, o que incrementava a acção de intermediários, galerias Antiks, Cordeiros, Quadrado Azul, Fernando Santos, Valbom etc, e de vários dealers.
Outras exposições em galerias:1993 Tapeçarias recentes, Gal. Tapeçarias de Portalegre; “Caracóis”, azulejos, Ratton Cerâmicas, com álbum de poemas de Pedro Tamem
&
5. Anos 2000
2002. 19 JAN A 2 MARÇO : OS TRÊS EFES – fábulas, farsas e fintas: obras de 1996 a 2002, com um desdobrável e a edição do livro “Apontar com o dedo o centro da terra ” com texto de António Lobo Antunes, ed. D. Quixote / Galeria 111 (lançamento a 21 fev.).
CONVITE. Ulisses e as Sereias com Guitarra Portuguesa 1001, pastel, fundo litográfico sobre tela
desdobrável capa e folha 2. design H. Cayatte e JP
as duas 1ªas páginas manuscritas, de 26 pag. (“Para o Júlio, / meu amigo / António / 24.7.01)
2013, 12 jan. ATIRAR A ALBARDA AO AR, pinturas e desenhos.
A exp. foi proposta por Alexandre Pomar, vinda da Árvore, Porto, 2012, por ocasião do Prémio Casino do Estoril (a qual foi acompanhada pela edição de um catálogo e do livro, textos de Laura Castro) e da realização do filme “Só o teatro é real” Um filme de Tiago Pereira sobre Júlio Pomar,produção da Fundação Júlio Pomar com música de Ricardo Jacinto.
Júlio Pomar : atirar a albarda ao ar / org. Árvore-Cooperativa de Actividades Artísticas ; coord. Laura Soutinho ; comis. e texto Laura Castro.
&
No livro que assinalou os 50 anos da 111 (1964-2014), um pequeno texto de JP dedicado a Manuel de Brito abre o volume.
30.10.2014
Se Manuel de Brito não tivesse existido não seria fácil inventar um outro igual, ou pelo menos, a ele semelhante.
A chave do seu indiscutível êxito está em que Manuel de Brito era tão bom conhecedor do meio que o viu nascer e em que cresceu que, como a história o provou, não se viu segundo.
Tímida e pouco informada a sociedade portuguesa (da época?) não era naturalmente propícia a que lhe pusessem em causa hábitos e convicções.
As mãos e os olhos, conjuntamente hábeis, que o instinto de Manuel de Brito soube usar, foram a alavanca do êxito.
Usei a palavra alavanca levado pela voga que hoje lhe dão, mas logo me apetece recusá-la por inadequada: em vez de alavanca, termo que me soa de modo demasiado brutal, assaz mecânico, prefiro evocar a habilidade de Manuel de Brito, qualidade que na gíria das famílias da época se usava aplicar aos artistas.
Assim se poderia dizer (e ele bem gostaria de o ouvir) que na sua época Manuel de Brito foi um artista.
&
Mais tarde a Gal, 111 deixou de referir J. Pomar entre os artistas da galeria, sem ter havido uma ruptura comunicada. A decisão resultava de questões de exclusividade devido à realização de exposições noutras galerias, em geral de desenhos: a Gal. 111 não se interessava pela comercialização de desenhos, mas reagiu às outras exposições em galerias.
Anos 2000, outras galerias:
2001: QUELQUES DESSINS (1965-1988), Gal. Flora J, Paris, catálogo tx de Lydia Harambourg e JP (extractos) / ALGUNS DESENHOS, Gal. Valbom (2003)
2002: TROIS TRAVAUX D’HERCULE ET QUELQUES CHANSON RÉALISTES, Gal. Patrice Trigano, Paris, cat. com tx de Pierre Cabanne
2003: DESENHOS PARA GUERRA E PAZ, Gal. João Esteves de Oliveira, catálogo.
2004: MERIDIENNES-MERINDIENNES, Gal Patrice Trigano, cat tx de Marcelin Pleynet
2004 FABLES ET FICTIONS, esculturas (em bronze) e as suas fotografias por Gérard Castelo Lopes, Gal. Le Violon Bleu, Sidi Bou-Said, Tunísia, catálogo
2008, nov,. DESENHOS PARA DOM QUIXOTE DE LA MANCHA, Gal. João Esteves de Oliveira, cat. com tx do artista e J. Esteves de Oliveira
2009: 9 avril – 9 mai, NOUVELLES AVENTURES DE DON QUIXOTTE ET TROIS (4) TRISTES TIGRES, Gal. Patrice Trigano, desdobrável
+
Na 111 em 2016 “Júlio Pomar e Vítor Pomar – Ver o que salta aos olhos”, exp. proposta por Vítor Pomar 30 de junho a 09 de setembro de 2016
1989 – 2026, Pomar na Colecção Manuel de Brito e quatro exposições monográficas
A Colecção Manuel de Brito foi apresentada pela primeira vez em 1994 no Museu do Chiado, na programação de Lisboa Capital Cultural. A exp. teve o subtítulo “Imagens da arte portuguesa do século XX” e foi comissariado pelo próprio e Raquel Henriques da Silva. Um última secção do catálogo, “Escolhas electivas” incluiu Júlio Pomar (12 pinturas) entre Dacosta, Menez, Eduardo Luiz, Paula Rego e Graça Morais. Foi depois apresentada e Macau, Galeria do Forum 1995; no MASP em São Paulo e no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro,
Já em 1989 MB apresentara uma mostra antológica de JP na Galeria do Leal Senado em Macau com um texto crítico de Helmut Wohl no catálogo. (8 pinturas da colecção MB, 2 de Arlete Alves da Silva, e outras proveniências)
Nova exp em Macau aconteceu em 2000, no Centro de Arte Contemporânea de Macau com apoio da Fundação Oriente. Catálogo com texto de José Luís Porfírio, “Mudança e estrutura . JP em 26 exemplos 1948-1998” (com obras da colecção de Manuel de Brito: 26 obras). Foi apresentada na Galeria Nacional de Pequim, 2001
Julio Pomar no CAMB, Palácio Anjos, Algés, 2009. Texto de Celso Martins, “JP e o princípio da adequação” (30 pinturas)
A colecção foi depois parcialmente dividida com o filho mais velho de MB, que apresentou a sua colecção em 2024:“O nome igual nos dois? Um receituário para a Liberdade na coleção de Manuel Brito “, na Galerias da Casa Comum (Reitoria) da Universidade do Porto. Com 8 pinturas de Júlio Pomar.
2026, 10 jan. no Centro de Arte Manuel de Brito, Campo Grande