Bibliografia / Filmografia

LIVROS ILUSTRADOS 1946-2016

(1. Livros ilustrados e outras obras colectivas com ilustrações / 2. Capas do artista; capas com desenhos ou pinturas originais / 3. Edições com retratos. Índice anotado
Não inclui caixas/albuns de serigrafias ou gravuras, excepto uma ed. de 2003. Não inclui monografias e catálogos)

1.
1949 – Sidónio Muralha, Júlio Pomar, Francine Benoit, BICHOS, BICHINHOS E BICHAROCOS. Edição dos Autores, Lisboa. Reedição Ed. Althum, Lisboa 2010. (Poemas, desenhos, músicas)

1949 – Alves Redol, HORIZONTE CERRADO – CICLO PORT-WINE. Romance. Distribuição de Publicações Europa-América, Lisboa. (Desenhos)

1955 – Alexandre Cabral, MALTA BRAVA. Romance. Ilustrações de Júlio Pomar. Edição do Autor, Lisboa – Distribuição Centro Bibliográfico. (Desenhos)

1957 – Aquilino Ribeiro, O ROMANCE DE CAMILO. Desenhos no texto de Júlio Pomar, litografias em extra-texto de Carlos Botelho e Júlio Pomar. Ed. Folio, Edições Artísticas da Editorial Gleba, Lisboa. // Júlio Pomar, Estudos para O Romance de Camilo de Aquilino Ribeiro. Prefácio de João Bigotte Chorão. Arte Mágica Editores, Lisboa. 2005. (Cf. «Maria da Fonte», pintura de 1957)

1957 – Fialho de Almeida, O NATAL NA TRISTEZA DE UM SEM FAMÍLIA; selecção e prefácio de João de Castro Osório. Desenhos de Júlio Pomar. Edição O Mundo do Livro, Lisboa.

1958 – Leon Tolstoi, GUERRA E PAZ. Tradução de João Gaspar Simões. Ilustrações de Júlio Pomar. Editorial Sul, Lisboa, 3 vol., 1956-1958. (Desenhos). / Júlio Pomar, Desenhos para Guerra e Paz de Tolstoi. Prefácio de João Lobo Antunes. Ed. Arte Mágica, Lisboa, 2003; reed. Althum, Lisboa. 2018. // Tolstoi, Guerra e Paz, tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra, ilustração de Júlio Pomar, prefácio de António Lobo Antunes, Ed. Público, 2010 (10 fascículos).

1959 – Branquinho da Fonseca, O BARÃO. Novela. Ilustrações de Júlio Pomar. Portugália Editora, Lisboa. (Pinturas s/ papel – ver Catálogo Raisonné vol. I nº 161)

1960 – José Gomes Ferreira, O MUNDO DESABITADO. Estúdios Cor, Lisboa. (Desenhos)

1960 – Miguel de Cervantes Saavedra, D. QUIXOTE DE LA MANCHA. Versão de Aquilino Ribeiro. Ilustrações de Júlio Pomar. Livraria Bertrand, Lisboa, 1960. (30 pinturas s/ papel – ver Catálogo Raisonné vol. I nº 162. As ilustrações para D. Quixote estão na origem de uma série de gravuras, pinturas e esculturas em ferro. O tema D. Quixote e os Carneiros é retomado numa pintura de 1997. Uma segunda versão ilustrada foi realizada em 2005, a que ser seguiu outro ciclo de quadros)

1960 – Castro Soromenho, HISTÓRIAS DA TERRA NEGRA. Contos e novelas e uma narrativa. Estudo de Roger Bastide. Ilustrações em extra-texto de Alice Jorge e Júlio Pomar. Editorial Gleba. (Desenhos)

1960 – José Cardoso Pires, O RENDER DOS HERÓIS. Edição especial com ilustrações de Júlio Pomar. Colecção Fólio, Lisboa. (Desenhos)

1961 – Sophia de Mello Breyner Andresen, O CRISTO CIGANO OU A LENDA DO CRISTO CACHORRO. Poema. Ilustrado por Júlio Pomar. Minotauro, Lisboa. (Desenhos)

1961-1963 – Dante Alighieri, A DIVINA COMÉDIA – II Volume: O PURGATÓRIO. Tradução de Sophia de Mello Breyner Andersen. Aberturas de Canto desenhadas por Júlio Pomar. Edição especial com 12 gravuras em madeira de Júlio Pomar.Vol. I e III com Ilustrações em extra-texto de vários autores. Editorial Minotauro, Lisboa. / Ver edição de 2006.

1966 – Ferreira de Castro, EMIGRANTES. Romance. Ilustrações de Júlio Pomar. Portugália Editora, Lisboa. (Pinturas – ver Catálogo Raisonné vol. I nº 354)

1967 – Rabelais, PANTAGRUEL. Versão portuguesa de Jorge Reis. Desenhos de Júlio Pomar. Prelo Editora, Lisboa.

1974 – Ferreira de Castro, A SELVA. Empresa Nacional de Publicidade, Lisboa. (12 pinturas sobre papel – ver Catálogo Raisonné vol. II nº 72)

1976 – Carlos de Oliveira, UMA ABELHA NA CHUVA. Ed. Limiar, Porto. (6 pinturas sobre papel – ver Catálogo Raisonné vol. II nº 112)

1976 – Malcolm Lowry, POUR L’AMOUR DE MOURIR. Collection “Le Milieu”, Editions de La Différence, Paris. (Guaches recortados – ver Catálogo Raisonné vol. II nº 132)

1977 – Gilbert Lely, KIDAMA VIVILA. Collection “Le Rendez-vous des Parallèlles”, Editions de La Différence, Paris. (Desenhos)

1978 – Jorge Luis Borges, ROSE ET BLEU. Collection “Cantos”, Editions de La Différence, Paris. (Guaches recortados – ver Catálogo Raisonné vol. II nº 204. O conto «Tigres Bleus» está na origem da série «O Tigre» que ocupa o artista entre 1978 e 1982.)

1979 – Maria Velho da Costa, CORPO VERDE. Contexto Editora, Lisboa. (Desenhos) (Tradução alemã, Korper Grün, Edition Tranvía, Berlin, 1989)

1980 – José Cardoso Pires, O Burro em Pé. Moraes Editores, Lisboa / Círculo de Leitores, Lisboa. (Cinco colagens sobre tela – ver Catálogo Raisonné vol. II, nº 276)

1981 – Alberto Lacerda, Tauromagia. Contexto Editora, Lisboa. (Desenhos)

1982 – Gonzague Raynaud, Les Cheveux du Réel. Collection “Le Rendez-vous des Parallèlles”, Editions de La Différence, Paris. (Desenhos)

1984 – Júlio Pomar, Catch: Thêmes et Variations, Éditions de la Différence (texto de Júlio Pomar e série completa dos desenhos). Desenhos antes publicados na revista Discordance, (dir.) Michel Waldberg), nº1, avril-juin, Ed. La Discordance, Paris, 1978. Produção de álbum de litografias em 1978 que teve distribuição em caixa em 2014, Fundação Júlio Pomar.

1985 – Claude Michel Cluny / Pomar, Le Livre des Quatre Corbeaux, Ed. de la Différence, Paris. Trad. portug., O Livro dos Quatro Corvos, Gal. 111, Lisboa.
2ª edição: Claude Michel Cluny, Le Livre des Quatre Corbeaux – Poe, Baudelaire, Mallarmé, Pessoa. Peintures de Júlio Pomar. Col. « Les Essais », Éditions de la La Différence, Paris, 1998.
(Reproduz a série de pinturas relativas ao poema The Raven / O Corvo, de Edgar Allen Poe e aos seus tradutores Baudelaire, Mallarmé e Pessoa – retratos e corvos, 1981-1985 – vol. II do CR)

1985 – Fernando Pessoa, Mensagem / 7 Histórias Portuguesas, de Júlio Pomar / Os Avessos dos mitos, texto de Mário Dionísio. Clássica Editora, Lisboa. (Com a reprodução de sete telas a propósito da Mensagem -. Uma contra Mensagem,)

1996 – António Gedeão, Poesia Completa, acompanhada por «Primeiros Estudos para Ulisses e as Sereias», desenhos de Júlio Pomar. Ed. João Sá da Costa, Lisboa. 2 ª ed., 1998.

1997 – Odes Marítimas / Odes Maritimes, Fernando Pessoa, Ruy Cinatti, Natália Correia, Vitorino Nemésio, Mário Cesariny, Nuno Júdice e Al Berto (poesias), Júlio Pomar (desenhos). Edição Assírio & Alvim / Michel Chandaigne, Paris / Casa Fernando Pessoa, Lisboa.

1999 – Lewis Carroll, La Chasse au Snark, com apresentação de Gérard Gacon e um texto de Gérard-Georges Lemaire, Éditions de la Différence, Paris. (4 pinturas e L’équipé de la Chasse au Snark; as 4 pinturas foram incluídas no catálogo-álbum La Chasse au Snark, L’Entrée de Frida Kahlo au Paradis, Contes Moraux, prefácio de Marcelin Pleynet, Galerie Piltzer, 1999)

2003 . Claude Michel Cluny, La Mémoire du sel, accompagné par Le Sel de la mémoire de Júlio Pomar. Éditions de la Différence, Paris. (Pinturas da série «Mães Índias» que têm por origem a Carta de Pero Vaz de Caminha)

2005 – Miguel de Cervantes, Dom Quixote de la Mancha, tradução de Miguel Serras Pereira, design de Henrique Cayatte, edição Expresso (10 vol.). (Desenhos)

2006 – Vasco Graça Moura (tradução), A Divina Comédia de Dante Alighieri. Júlio Pomar: O Purgatório. Bertrand Editora, Lisboa. 33 desenhos e 10 retratos de Dante.

2016 – Richard Zimler, O cão que comia chuva. Porto Editora. (Colagens e desenhos)

Obras ilustradas (colectivas)

1949 – Ferreira de Castro, A VOLTA AO MUNDO. Colecção Obras Completas, VIII. Guimarães e Cª, Lisboa. Ilustrações de Bernardo Marques, Carlos Botelho e Júlio Pomar. (Desenhos)

1958 – Miguel de Cervantes, NOVELAS EXEMPLARES. Tradução de Aquilino Ribeiro. Ilustrações de Bernardo Marques, João Abel Manta, Jorge Barradas e Júlio Pomar. Edições Folio, Lisboa, 1958. (Pinturas s/ papel – ver Catálogo Raisonné vol. I nº 150)

1958-1962 – O LIVRO DAS MIL E UMA NOITES. Introdução de Aquilino Ribeiro. Editorial Estúdios Cor, Lisboa. 6 volumes. Ilustrações de diversos artistas. (Desenhos e pinturas, 1956-1960 – ver Catálogo Raisonné vol. I)

1961-1962 – Vieira de Almeida e Luís da Câmara Cascudo, GRANDE FABULÁRIO DE PORTUGAL E DO BRASIL. Ilustrações de diversos artistas. Editorial Folio, Lisboa, 2 volumes. (Desenhos e gravuras)

1964 – Boccaccio, O DECAMERON. Tradução de Urbano Tavares Rodrigues. Ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Fernando de Azevedo, Júlio Pomar, Vespeira. Editorial Minotauro, 2 volumes, Lisboa. (Pinturas vol 1 nº 243)

Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa escolhidas por José Régio”, Realizações Artis 1958-1963

1958 – OS MAIS BELOS SONETOS DE CAMÕES / escolhidos por José Régio, com ilustrações de João Abel Manta, Júlio Pomar, Lima de Freitas e Manuel Lapa. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 1, Realizações Artis, Lisboa.

1958 – OS MAIS BELOS SONETOS DE BOCAGE / escolhidos por José Régio, com ilustrações de Júlio Pomar, Lima de Freitas, Manuel Lapa e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 2, Realizações Artis, Lisboa.

1959 – A MAIS BELA ÉCLOGA PORTUGUESA – CRISFAL / escolhida por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Júlio Pomar e Lima de Freitas. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 3, Realizações Artis, Lisboa. (156)

1959 – AS MAIS BELAS POESIAS DE RODRIGUES LOBO / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Júlio Pomar e Lima de Freitas. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 4. Realizações Artis, Lisboa. (157)

1960 – AS MAIS BELAS POESIAS DE TOMÁS ANTÓNIO GONZAGA / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Júlio Pomar, Lima de Freitas, Maria Keil e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 6, Artis, Lisboa. (175)

1961 – AS MAIS BELAS POESIAS DE SÁ DE MIRANDA / escolhidas por José Régio, com ilustrações de João Abel Manta, Júlio Pomar, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 7, Realizações Artis, Lisboa. (177)

1961 – AS MAIS BELAS POESIAS DE ANTÓNIO FERREIRA / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Júlio Pomar e Lima de Freitas. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 8, Realizações Artis, Lisboa. (176)

1962 – AS MAIS BELAS POESIAS DO CANCIONEIRO GERAL DE GARCIA DE RESENDE / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Júlio Pomar e Lima de Freitas. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 9, Realização Artis, Lisboa. (192)

1962 – AS MAIS BELAS POESIAS DE DIOGO BERNARDES / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, Júlio Pomar, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 10, Realizações Artis, Lisboa. (241)

1963 – AS MAIS BELAS REDONDILHAS DE CAMÕES / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, Júlio Pomar, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa nº 11, Realizações Artis, Lisboa.

1963 – AS MAIS BELAS POESIAS DE FREI AGOSTINHO DA CRUZ / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, Júlio Pomar, Lima de Freitas e Rogério Ribeiro. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa, nº 12, Realizações Artis, Lisboa. (276)

1963 – AS MAIS BELAS CANÇÕES E ODES DE CAMÕES / escolhidas por José Régio, com ilustrações de Alice Jorge, João Abel Manta, Júlio Pomar e Lima de Freitas. Colecção As mais belas poesias da língua portuguesa, nº 13, Realizações Artis, Lisboa.

2
CAPAS do artista

1946? – Cartas de Fuzilados. Edições Aov, 1946?? (Não creditado) Capa

1946 ? – Ivy Litvinov, Mistério em Moscovo, Portugália, capa

1946 – Afonso Ribeiro, MARIA I – ESCADA DE SERVIÇO. Romance. Editorial Ibérica, Porto. (Capa.)

1946 – João Gaspar Simões, INTERNATO. Romance. Editorial Ibérica, Porto. (Existe edição especial de 50 exemplares?). (Capa.)

1946 – Papiniano Carlos, TERRA COM SEDE. Contos. Colecção Gente Nova, Livraria Portugália, Porto. (Capa.)

1947 – Afonso Ribeiro, POVO. Contos. Editorial Ibérica, Porto. (Capa.) 1946?

1950 – Sidónio Muralha, COMPANHEIRA DOS HOMENS. Poemas. Edição de Autor. Lisboa. (Capa.)

Capas com desenho ou pinturas originais

1946 – Papiniano Carlos, ESTRADA NOVA. Poemas. Edição do Autor, Porto. (Capa. Com desenho)

1949 – Sidónio Muralha, BECO E PASSAGEM DE NÍVEL. Poemas. Edição do Autor, 2ª e 3ª edição, Lisboa. (Capa. Com desenho)

1949 – José Cardoso Pires, OS CAMINHEIROS E OUTROS CONTOS. Centro Bibliográfico, Lisboa. (Ilustração da capa.)

1949 – Raúl de Carvalho, AS SOMBRAS E AS VOZES. Poemas. Lisboa. (capa. Com desenho

1987 – Ruth Escobar, Maria Ruth, Ed. Guanabara, Brasil

Eça de Queiroz, Ed. Difference
Le Mandarin, 1985
Le Crime du padre Amaro -1985
Le cousin Basilio – 1989
Le mystère de la route de Sintra- 1991
202, Champs-Élysées – 1991

1991 – Claude Michel Cluny, Oeuvre Poétique I, ed. Différence

3
Edições com retratos

1948 – DESENHOS DE FERNANDO LANHAS / com um retrato do autor por Júlio Pomar e uma pequena notícia biográfica. Cadernos das Nove Musas, sob o signo de Portucale, Porto.

1950 – Mário Dionísio, O RISO DISSONANTE. Poemas. Com um retrato do Autor na tiragem especial de 40 exemplares. Colecção Cancioneiro Geral nº 4, Centro Bibliográfico, Lisboa.

1951 – José Fernandes Fafe, A VIGÍLIA E O SONHO. Poemas. Com um retrato do Autor na tiragem especial de 40 exemplares. Colecção Cancioneiro Geral nº 6, Centro Bibliográfico, Lisboa.

1951 – Eugénio de Andrade, AS PALAVRAS INTERDITAS. Poemas. Com um retrato do Autor na tiragem especial de 40 exemplares. Colecção Cancioneiro Geral nº 8, Centro Bibliográfico, Lisboa.

1951 – Ilse Losa, GRADES BRANCAS. Com um retrato do Autor na tiragem especial de 40 exemplares. Colecção Cancioneiro Geral nº 9, Centro Bibliográfico, Lisboa.

1953 – Orlando da Costa, OS OLHOS SEM FRONTEIRA. Poemas. Com um retrato do Autor na tiragem especial de 40 exemplares. Colecção Cancioneiro Geral nº 14, Centro Bibliográfico, Lisboa.

*

TEXTOS DE JÚLIO POMAR

2014

CATCH: TEMA E VARIAÇÕES.  Edição F.J.P.

Comprometi-me a fabricar meia dúzia de linhas com o fito de explicar os porquês desta apresentação tardia de Catch, série de litografias que registam a quase totalidade dos estudos resultantes da minha frequentação deste espectáculo popular. A arrumação em série cedo se tornaria um hábito meu, como a melhor maneira de pôr em prática as tentações, intuições ou obstinações que o próprio trabalho vai ajudando a definir. Assim aconteceu com as Tauromaquias e as “Courses”, estas realizadas já integralmente em Paris, onde, no ano de 1963, eu me havia fixado. Contrariamente às Tauromaquias que compreendiam tanto pinturas a óleo como as gravuras a agua-forte realizadas nas oficinas da Cooperativa Gravura, esta série do Catch ficaria reduzida a uns quantos desenhos, dado que as pinturas paralelamente realizadas foram por mim destruídas na sua quase totalidade; salvar-se-iam ( salvo erro ) duas! – uma, a inicial, a outra realizada após a série de desenhos ter sido dada por terminada. Dos desenhos se tiraria este conjunto de litografias, por iniciativa do meu amigo Joaquim Vital, infelizmente já desaparecido. Tão português como eu, um homem das Arábias que se fixara em Paris e, através das suas Éditions de la Différence, se multiplicava em iniciativas audazes, como a publicação da Peregrinação, de romances de Eça de Queiroz e de poesias de Herberto Helder, de Sophia de Mello Breyner ou de Vasco Graça Moura, estes dois exemplarmente traduzidas por ele próprio. Outras iniciativas suas ficavam involuntariamente à espera de melhores dias e tal foi o caso de “Catch, série de 34 dessins au crayon et encre de Chine exécutées à Paris en 1965; ils furent inspirés à Pomar par le spectacle de combats organisés à l’époque Salle Wagram. Une édition de grand luxe de Catch vient de paraître à la Différence”. Afirmação prematura que se pode ler na revista “Discordance” da qual sairia apenas um número. Em 1984 as Éditions de la Différence publicavam o meu Discours sur la cécité du peintre e Catch: Théme et Variations, volume que reproduz a série assim chamada acompanhado dum texto do autor “dont le thème est le dessin, et ce dessin je le vois avant tout comme l’écoute du trait.” Este pequeno volume deveria anunciar e promover a edição da série completa litografada em seu tamanho real ; mas mais uma vez isso não aconteceu e é somente agora que o conjunto integral se apresenta. * A minha série dos touros nascera num domingo de Lisboa, em que o acaso me fez passar à porta da praça do Campo Pequeno. Nesse tempo as corridas de touros eram ainda nas tardes de domingo e o sol das touradas não fora substituído pela luz eléctrica das noites de semana. Aí por volta dos meus 8 anos, faço as contas de cabeça e por pouco me devo enganar, pela mão do meu tio Simões descobri o teatro dos touros e foi essa recordação que muitos anos volvidos me levou à procura de sensações semelhantes; e mais tarde, às esperas e às tentas. Quando no início dos anos sessenta me instalei em Paris, quis a sorte que eu alugasse um estúdio na Rua Molitor; consultando um dicionário vim a saber que Molitor tinha sido o nome do primeiro tradutor francês de Marx e igualmente o dum general (não me lembro já se do tempo de Napoleão ou não), a inscrição na rua não dizia de qual dos dois se tratava. Vim a saber também que aqui havia vivido Bonnard! A dois passos era o hipódromo de Auteuil. Corria o ano da minha exposição das “Tauromachies” na Galerie Lacloche, uma das últimas senão a última das galerias de arte a abandonar a Place Vendôme. A exposição estava há mais de dois anos apalavrada e eu a adiá-la. No estio que lhe sucedeu não vim a Portugal e num domingo desocupado (os domingos de Paris, meu pobre Mario de Sá Carneiro !) deu-me a curiosidade de ver o que se passava por detrás das grades em matéria de corridas. Nenhuma semelhança com os rituais da Tauromagia (a invenção da palavra é do Alberto de Lacerda, que assim deu o título a um livrinho que juntava a poemas seus alguns desenhos meus). Visto de face o tropel dos jockeys e de suas montadas tão depressa aparece como irá desaparecer, a imagem de homens e animais a formar-se quase instantaneamente e quase instantaneamente a desfazer se. Dir-se-ia agredir o olhar que a quer reter ; e ela a frustá-lo, fundindo-se na distância. Mas das tribunas a visão será outra: aí o espectador já pode desarticular o tropel, separar os participantes, avalisar hierarquias, destrinçar a diferença das velocidades. É a óptica do apostador que do tropel isola um detalhe apenas, o cavalo em que apostou. O que não é evidentemente o meu caso: aquilo a que eu serei sensível será a magia que opera a assunção visual da massa num tropel que indistintamente funde cavalos e cavaleiros: como se de uma só matéria se tratasse ou dum monstro de mil patas. * A tourada e a corrida de cavalos são espectáculos que vivem de uma competição real que envolve tanto o homem como o animal. Nada de semelhante no Catch onde tudo é fingimento, simulação, teatro e um teatro boçal que se apropria das imagens brutais duma luta para despertar os instintos do público; é o fingimento que fustiga a necessidade de acreditar na realidade das forças que se apregoando como antagónicas farão vibrar o espectador. Remete-se o leitor para o claríssimo e histórico livro de Roland Barthes sobre as mitologias que operam no quotidiano. …… E em complemento de informação e dado que a invenção me falha, ouso lembrar ao leitor como terminava um artigo meu em tempos publicado na revista “Colóquio” sobre possíveis afinidades entre dois criadores da minha particular afeição, Alberto Giacometti e Jean Genet: “só o teatro é real”. 14/7/2014

****************************************

2003 / 2010

Do Ilustrador,

in Guerra e Paz, Ed. Público

HÁ JÁ UNS BONS CINQUENTA ANOS HAVIA NO PORTUGAL DOS LIVROS UM USO QUE ERA o das edições ilustradas debitadas em fascículos mensais que pelo correio iam ter com os seus presumíveis leitores. A obra levava mais ou menos tempo a ficar completa e então os editores forneciam contra um xis a respectiva encadernação e passavam a anunciar a seguinte. Publicações deste tipo constituíam a actividade essencial de pequenas editoras, algumas mesmo inventadas por escritores, que assim arredondavam a exiguidade dos seus proventos (Cardoso Pires, Castro Soromenho, Leão Penedo, Rogério de Freitas). A estratégia era simples: pretendia-se cativar o leitor com o prestígio dos grandes clássicos (Cervantes, Tolstói, Dante), garantida a tradução por um nome de prestígio (Aquilino, Sophia) e, quanto ao critério das ilustrações, tanto a obra era confiada a um único artista (assim me coube Tolstói e a sua Guerra e Paz) ou a vários, como as Mil e Uma Noites, para a qual não houve cão nem gato que não aviasse o seu boneco. Entregava a gente os desenhos, recebia o combinado, e não se pensava em distinções entre a propriedade da obra e os direitos de reprodução. Uma vez impressos, ninguém mais se lembrava dos originais, a começar por este vosso amigo. Foi com espanto que recebi das mãos de António Ramos, que cuidava das edições da Bertrand, o que eu havia feito para o Dom Quixote na versão de Aquilino Ribeiro que iria integrar as suas obras completas. Era hábito os papéis ficarem pelas gavetas das editoras, quem sabe se pelas tipografias. Agora, de quando em vez mas pouco assiduamente, uma ou outra dessas ilustrações aparece no catálogo dos leilões, sem qualquer identificação salvo o nome do autor, e a proveniência jamais declarada. Tinha eu descoberto pouco antes o pincel dito japonês (inventado pelos chineses), e trazido de Paris, após a descoberta de Hokusai e dos calígrafos Zen. Ele deve ser sustido entre o polegar e o indicador, caindo verticalmente sobre o papel que repousa na horizontal, sobre uma mesa baixa. É a mobilidade do pulso que gera a fluidez do traço, e este será substituído pela articulação do cotovelo se um gesto mais largo se impõe. A linha acontece fina se for só a ponta do pincel a tocar o papel e a espessura do traço variará conforme o pincel se recline ou descanse lateralmente sobre a superfície que macula. As possibilidades deste maravilhoso instrumento, comum à escrita e desenho (e entre desenho e pintura o oriente não vê diferença), não têm comparação com as do pincel ocidental, por mais sedoso que seja o pêlo da marta com que foi feito. Talvez a diferença entre um e outro seja a mesma que existe entre um belo copo nu e uma carne espartilhada. Enquanto um respira a sua liberdade (felina?), o outro responde conforme as conveniências. O desenho é escrito de um ponto a outro ou do princípio ao fim sem possibilidade de apagar ou esconder erros ou hesitações. Há que recomeçá-lo tantas vezes até que o seu todo consiga a verdade necessária. Como um acrobata que nos bastidores repete infinitas vezes o mesmo acto para que o público o veja como natural e não lhe suponha a dificuldade. A imagem do acrobata é de Matisse. Destes desenhos, repetidos até que a síntese seja encontrada e se produza de um jacto, uma boa parte vai direita para o barril do lixo e só quando a articulação das formas se começa a definir em sua clareza ritmada, quando um discurso se está em vias de organizar com o mínimo de coerência e o que se diz ou pinta deixa de ser balbuciante, é que os exercícios começarão a ser guardados. Acabei por aprender que a melhor das versões não é a última, quando se julga o todo harmonizado de vez, mas uma das precedentes, na qual uma ponta de indecisão, uma fraqueza involuntária confere ao desenho a verdade da respiração que possibilita o equilíbrio, e ao rigor acrescenta a marca involuntária da mão. Da Guerra e Paz conservei largas dezenas destas folhas preparatórias e um atado delas caiu nas graças do meu amigo João Lobo Antunes, que a elas se deu com a inteligência que os homens da sua espécie sabem pôr nas coisas que lhe dão prazer. (Duchamp dizia coisa por obra: a coisa pode ser independente do querer, uma obra começa por se enquadrar nas limitações da vontade) Outro reparo: não há contradição entre a multiplicação dos estudos para um simples desenho e a quase não existência de estudos preparatórios para os quadros que pinto, segundo os meus usos: talvez que a diferença entre desenho e pintura, ou entre o meu desenho e a minha pintura, seja a mesma que existe entre um correr de água (o desenho) e o amassar de um pão (o quadro). Texto para o catálogo da exposição na Fundação Arpad Szenes / Vieira da Silva, em 2003… E MAIS UMA VEZ SE PÕEM A DESCOBERTO – OU A REDESCOBERTO – AS MINHAS vicissitudes com a Guerra e Paz de Lev Tolstói, que é declaradamente uma obra em aberto como se costumava dizer aqui há uns anos atrás: uma obra com a desmesurada ambição de pensar o mundo, característica maior dos grandes frescos de toda a literatura. Pelo meu lado, bem mais modestamente, este trabalho de ilustração revela o que se foi definindo como o que parece ser a minha tendência dominante, uma sucessão de ocorrências que se definem como análogas às duma guerra ou da penosa construção da paz. Trabalho que mostra como ele próprio se faz, se desfaz e se refaz. A publicação conjunta dos desenhos que ilustraram a edição de 1956-58 e dos estudos que os precederam, dos quais uma boa parte foi objecto de exposições parciais, permitirá ao espectador o contacto com o que parece ser fatalidade no meu trabalho: a necessidade de procurar a sobrepor-se à necessidade de um ponto final; um trabalho mais virado para a sua renovação que parece desinteressar-se de vir a ser como a pedra atirada ao charco, desculpem a vulgaridade da expressão. Lisboa, 2010 ******************************************

2003 Redol


ENTREVISTAS

2017, “Sou um bocado canibal”, entrevista de Alexandra Carita, março (repub. a 22.05.2018) , Expresso, 2017-18

2016, “Sou uma criatura volúvel” (título?), entrevista de Marco Alves e Ágata Xavier, Sábado 8 janeiro

2014, “Gostava que o Burro desse uma valente parelha de coices…”, entrevista de José António Santos, na revista da Associação 25 de Abril:  O Referencial. Setembro 2014

2013, entrevista de António José Teixeira, SIC, 19.05.2013 VIDEO: A Propósito

2012, entrevista de Anabela Mota Ribeiro, “Júlio Pomar e Mário Soares” – Publico > Blog

2008, entrevista de Paula Brito Medori, “Represento o movimento”, L+ Artes nº 47, Abril de 2008, pag. 50-52: L+Arte

2005, entrevista de Raquel Santos (sobre exp. no Museu Berardo de Sintra e no CCB), VIDEO 25 min., RTP Parte I

2004, entrevista de Eduardo Batarda: “As minhas dúvidas são o meu material mais precioso”, in UPorto – Revista dos antigos alunos da Universidade do Porto, nº 12, Junho Eduardo Batarda

2004, entrevista de Anabela Mota Ribeiro, por ocasião da exp. «A Comédia Humana» no CCB: Diário de Notícias, Setembro

2004, entrevista por Joana Vasconcelos e Sara Maia, Jornal de Letras 26 de Maio Jornal de Letras

2001, entrevista de Ana Sousa Dias, programa “Por outro lado”, da RTP2, real. Rui Nunes. 2001- – VIDEO – 54,12 min.  RTP2, 2001

1966, entrevista de Mário Dionísio, “Reencontro com Pomar”, Diário de Lisboa: RI-DA-2-doc43


SOBRE JÚLIO POMAR

DIONÍSIO, Mário, 1978, “Todo o Pomar” (Fund. Gulbenkian, Retrospectiva) – Diário de Lisboa 25 Julho 1978

DIONÍSIO, Mário, 1945, “O princípio de um grande pintor?” (Exp. do Atelier da Rua das Flores, 1942 – Exp. da Missão Estética de Férias, SNBA, 1945) – Seara Nova, nº 956, 8 de Dezembro, p. 232-234

LIMA, Rute, 2018: Opinião, “Portugal está mais pobre” (De uma só vez perdemos António Arnaut e Júlio Pomar. Público,

MATOS, Sara Antónia Matos, 2018, Testemunho – “Revisitar Júlio Pomar: um artista em movimento”, Público, 22 Maio 2018: https://www.publico.pt/2018/05/22/culturaipsilon/noticia/revisitar-olhar-para-a-frente-1831242

MUNIER, Roger, 1978, “L’Espace d’Eros / O espaço de Eros”, catálogo Galerie Différence, Bruxelles

POMAR,. ALEXANDRE, 2020, “Neo-realismo entre as Américas e Paris”, Nova Síntese, Neo-Realismo Português e Realismo no Mundo:  Academia 2020

POMAR, Alexandre, 2004, “Júlio Pomar” (O Neo-realismo e depois 1942-1958) – Catálogo “Raisonné” vol. I

POMAR, Alexandre, 2004, “Júlio Pomar” (Le néorealisme et après 1942-1958) tradução – Catalogue Raisonée I

POMAR, Alexandre, 2002,”60 anos depois” (Rua das Flores, 1942), 9 Nov. – Expresso

PORFÍRIO, José Luís, 2018, “Júlio Pomar” Expresso, 30.05

REIS, Bárbara, 2004: “Pomar, 60 anos de eros e humor” (Público, 9 Maio), https://www.publico.pt/2004/05/09/jornal/pomar-60-anos-de-eros-e-humor-188015 Exp. Autobiografia no Sintra Museu / Colecção Berardo; comissário Marcelin Pleynet.

 

 


FILMOGRAFIA

2006, “JÚLIO POMAR – O RISCO”, Realização de António José de Almeida. 59′ https://arquivos.rtp.pt Documentário

2004, “Júlio Pomar – Visita ao Atelier”, real. Vitor Pomar, 15,25 min.: Julio Atelier

1989, “Pomar 88”, produção e realização  Tereza Marta. Entrevista de Helena Vaz da Silva

1974, 10 de Junho, Pintura Colectiva, Galeria de Arte Moderna, Belém CineArmaVideo