“Incisão no Tempo” – Museu do Côa 17.03.2018

“Incisão no Tempo: Obras do Acervo do Atelier-Museu Júlio Pomar” – Museu do Côa – 17.03.2018 / 05.08.2018

Curadoria de Sara Antónia Matos e Pedro Faro

“O Museu do Côa apresenta a exposição de Júlio Pomar, Incisão no tempo, resultante de uma parceria entre a Fundação Côa Parque e o Atelier-Museu Júlio Pomar. Trata-se do primeiro grande evento do Museu do Côa, em 2018, que assinala a abertura das comemorações do vigésimo aniversário da classificação da Arte do Côa como Património da Humanidade, pela UNESCO.

A exposição integra um núcleo de gravura de Júlio Pomar permitindo estabelecer uma relação com as gravuras do Côa e, de certa forma, fazer jus à afirmação de que o artista pode ser entendido como «a contemporaneidade» das gravuras dos antepassados do Vale do Côa. O autor já visitou o Museu do Côa, assim como outros sítios de arte pré-histórica na Europa. Como o próprio conta na entrevista que deu ao Atelier-Museu em 2014, publicação com o título Júlio Pomar: O Artista Fala… Conversas com Sara Antónia Matos e Pedro Faro, a experiência de choque que teve frente às gravuras rupestres deu-se sobretudo em Altamira e em Lascaux.

«Antes do Côa, eu tive a hipótese de estar em Altamira e em Lascaux, quando ainda se podiam visitar esses sítios. Para ser franco, não estava a apostar muito no que ia ver e, de repente, tive um choque. Pensei que me ia deparar com “registos do tempo”, de fraco impacto. Claro que as “marcas” têm sempre um lado de passado, mas o que aconteceu foi que a dada altura me senti completamente ultrapassado. (…) Mas ali, houve e há qualquer coisa que ultrapassa a nossa temporalidade, uma espécie de inscrição de um arquétipo, que está para além das épocas e que, por isso, torna a coisa sempre actual. Deslumbrou-me a extraordinária contemporaneidade do gesto que levou a inserir na rocha, o traço, o volume, a cor.»

Nos diferentes núcleos de obras de Júlio Pomar aqui presentes, percebemos que a forma detém um «poder alquímico», entre o ser e o aparecer. São imagens pairantes que, nesta exposição, habitam e demonstram a abundância da existência, num alerta tentador e provador sobre a força da vida e, sobretudo, da arte.” (Museu do Coa)

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Exposição no Museu do Côa Foto: Rui Manuel Ferreira/Global Imagens/ JN

Agência Lusa:

Museu do Côa inaugura exposição de Júlio Pomar

Museu do Côa acolhe duas centenas de peças do acervo do pintor Júlio Pomar. Exposição vai estar aberta até cinco de maio.

A exposição “Incisão no Tempo” inclui um núcleo de gravuras de Júlio Pomar, permitindo estabelecer uma “relação” com as gravuras rupestres do Vale do Côa, no concelho de Vila Nova de Foz Côa, no distrito da Guarda.

“Esta relação pode ser visível num conjunto de gravuras de Júlio Pomar, datadas dos anos 70 do século passado, em que o pintor explora as entradas de touros e campinos, numa figuração de certo modo, semelhante às existentes nas gravuras do Côa”, disse à Lusa, a Curadora da exposição, Sara Antónia Matos.

Ao longo das várias salas do MC estão expostas cerca de 200 peças do Atelier – Museu Júlio Pomar e datadas de diversas fases do percurso do artista plástico e que dão conta dos seus 70 anos de carreira.
“Esta exposição no Museu do Côa é importante e simbólica para nós, já que procura fazer sair da metrópole o espólio artístico de Júlio Pomar tentando, assim, descentralizar a sua atividade por outros espaços culturais do país”, adiantou Sara Antónia Matos.

A inauguração da exposição contou com a presença do ministro da Cultura e de outras figuras públicas ligadas ao panorama cultural do país e da região, que se quiserem associar a este monumento, tido como “único” no panorama das atividades recentes do Museu e Parque Arqueológico do Vale do Côa.

Este é um grande acontecimento para o MC. Neste mesmo espaço vai ficar patente uma exposição de um grande artista português que é transversal às diversas fases da sua obra. Trata-se de uma exposição de um artista contemporâneo, como Júlio Pomar, que se vem instalar junto do apelo e do gesto daquele homem da pré-história que gravou na pedra diversas figuras de animais e objetos “, disse Luís Filipe de Castro Mendes.

Segundo o governante, a exposição “Incisão no Tempo” é um gesto de arte que vai ao encontro de outro gesto de arte mais ancestral que ficará patente no Museu do Côa.

Os visitantes do Museu e Parque Arqueológico do Côa têm agora “um novo atrativo”, num espaço cultural que junta a “Arte do Côa~2, com cerca de 30 mil anos de existência, com a “contemporaneidade” e o estilo do pintor Júlio Pomar e que poderá ser visto nos próximos meses. (Lusa)

Museu do Côa

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